quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Fuga...




Seus passos ecoavam pelo corredor vazio, ele não sabia quanto tempo ainda tinha até que alguém descobrisse o enfermeiro com o pescoço quebrado sobre a maca onde ele estava amarrado poucos minutos antes, sua sorte, o enfermeiro é um maníaco sexual, um bastardo filho da puta que achou que ia se aproveitar dele quando o sedasse novamente, mas ele não sabia que Kat não havia tomado o ultimo comprimido dado durante a tarde, sendo assim, no momento em que o enfermeiro o soltou para virá-lo de costas, Kat deu-lhe um chute na altura do estomago e pulou em cima dele quebrando-lhe o pescoço. E agora estava ele, correndo pelos corredores de um manicômio que deveria estar abandonado em um local ermo da Espanha. Seu pai, seu namorado e seus amigos deviam estar desesperados à sua procura, já que pelas contas ele deveria estar desaparecido a alguns dias, só não sabia exatamente quantos. Enquanto corre Kat relembra os últimos dois anos, seu namoro com o Fabio estava super bem, lembrou dos seus amigos Paulo e Rafael cuja amizade ele valorizava imensamente, principalmente agora que Fabio também havia conquistado a amizade dos meninos, lembrou do pai que sempre estava ao seu lado desde a morte da sua mãe, ele estava no quarto período de arqueologia na faculdade, havia aprimorado suas habilidades e conhecimentos na luta contra o oculto e o místico, seu aniversário de dezenove anos se aproximava, havia ganho em um concurso uma viagem a Espanha e foi ai que tudo começou a dar errado, a viagem na verdade era uma armadilha de um antigo culto o qual Kat já havia ajudado um outro "detetive do sobrenatural" como ele a atrapalhar os planos do grupo macabro, mas eles haviam jurado vingança e sumiram, e agora ele estava aqui, correndo por esses corredores, o piso solto e quebrado em vários lugares, as paredes mofadas e descascando, fios soltos balançando perigosamente sobre poças de água no chão, por um momento ele ri e pensa: - que coisa mais clichê, pelo menos podiam ter escolhido um lugar mais original.-
De repente ele para. Parecia ter escutado algo, passos, vozes, será que já deram pela sua falta? Ele achava que não já que pelo que o notara havia sido mantido preso na ala mais afastada desse hospício. Com cuidado ele arranca a agulha com o tubo do soro que finalmente lembrara-se de tirar do braço.
O forte cheiro de mofo entrava pelo seu nariz enquanto ele andava colado à parede procurando não chamar atenção caso alguém surgisse no final do corredor.
Ele para, mas não escuta nada, então continua a correr procurando fazer o mínimo de barulho possível com seus pés descalços no corredor vazio.
Então ele vê.
A saída.
Mas ele desconfia.
Não há ninguém aqui vigiando e isso significa que, ou ele está em um lugar tão afastado de tudo que seus captores não achem que ele seja capaz de encontrar alguma ajuda, ou isso é uma armadilha e ele será capturado assim que tentar fugir, ou eles estão tão seguros de seu plano que nunca iriam imaginar que ele pudesse fugir e por isso não há ninguém vigiando a portaria.
Calmamente ele se esgueira até o balcão de informações da entrada, até o momento ninguém apareceu. Para sua sorte eles deixaram a entrada do hospício exatamente como estava talvez para não levantar suspeitas de um ocasional viajante que passasse por ali e visse portas novas em um local abandonado.
A porta estava trancada, Katsu então "escorrega" pelo buraco que há no vidro quebrado da porta e se corta no braço – droga! Espero não pegar nenhuma infecção, mas esse corte não significa nada comparado a conseguir fugir desse lugar maldito. -
Bem a tempo ele consegue passar pelo buraco sem mais nenhum corte e corre para a floresta próxima - pra isso aqui ficar mais clichê só falta eu ser perseguido por monstros na floresta, de preferência lobisomens. -
Sorrindo ele corre pela floresta, tropeçando em algumas raízes já que não nesse momento ele está pouco se importando com o cuidado de aonde deve pisar, ele só quer se afastar o mais rápido possível desse local.
Sujo e machucado devido algumas quedas ele percebe que o sol está perto de se por e até o momento aparentemente ninguém deu por sua falta ou não sabem por onde começar a procurar pelo menos ele se lembrou de apagar suas pegadas algumas vezes para tentar atrapalhar seus captores no caso dele estar sendo perseguido. Ele houve um barulho, algo parecido com um murmúrio e vai lentamente em sua direção até que encontra um rio que não parece ser muito profundo, Kat bebe um pouco de água e tem uma idéia, parece ser um pouco louca, mas no momento tudo é válido para conseguir voltar para seu pai, seus amigos e seu namorado, então ele fecha os olhos lembrando do abraço e do calor do corpo do seu namorado e do gosto do seu beijo e isso o anima para seguir em frente com seu plano, ele então passa algum tempo até que encontra um galho que agüenta seu peso dentro d'água e ele entra no rio junto com o galho e se deixa levar, na esperança de que esse rio passe perto de algum povoado, acampamento ou cidade, mas só a lembrança que ele estará ainda mais distante daquele local lhe deixa alegre.
Então ele flutua rio abaixo cheio de esperanças.

Chuva...





Katsuo olha para a chuva que cai lá fora...
Ele encosta a cabeça na janela e a luz que entra faz com que a sombras dos pingos que correm pela janela risquem seu rosto e se confundam com uma lágrima que cai...
Olhando para trás ele vê o vulto enrolado no lençol sobre a cama...
Seu namorado, Fabio...
Eles ainda estão juntos, o corte em suas costas dói...
Mas a lembrança dos últimos acontecimentos dói ainda mais em sua mente...
Ele estava junto com Fabio e seus dois amigos Paulo e Rafael se divertindo em um Luau quando alguns abissais apareceram, ele viu alguns colegas sendo atacados e correu para ajudá-los quando uma mão o segurou, era seu namorado tentando afastá-lo daquilo tudo, pois Fabio não sabia que aquele era um outro mundo em que Kat vivia e que ele combatia criaturas como aquelas...
Quase que Paulo e Rafael os amigos de Kat que sabem dessa estranha vida dupla que ele vive não conseguem afastar o Fabio para que assim Kat pudesse se livrar dos dois abissais, um deles ainda conseguiu atacá-lo por trás e por isso ele agora terá uma grande cicatriz em suas costas...
Após toda a confusão ter passado Fabio ficou a principio só olhando enquanto Paulo e Rafa corriam pra ajudar Kat que estava ajoelhado na areia da praia e sangrando muito, então ele se aproximou sem entender nada do que havia acontecido e sem saber o que fazer para ajudar seu namorado (se é que eles ainda seriam namorados)...
O pai de Kat estava viajando e por isso eles o levaram para casa ao invés de um hospital, ele disse que nenhum médico podia dar um jeito naqueles cortes e que tinha tudo o que precisava em casa...
Os três o levaram até em casa lhe deram um banho e seguindo suas instruções prepararam com algumas ervas uma pomada que foi colocada sobre os cortes feito pelas garras do abissal...
Depois então todos se sentaram no chão da sala para comer alguma coisa e conversar, principalmente Fabio e katsuo, que tinha muita coisa pra explicar ao namorado (será que eles ainda eram namorados?)...
Kat então contou tudo para Fabio que se não tivesse visto o ocorrido na praia dificilmente acreditaria em uma só palavra do que Kat lhe contava apesar dos meninos confirmarem tudo...
Ele quis saber por que ainda não havia sido informado disso e Kat lhe disse que por dois motivos: um por medo, pois não sabia qual seria a reação de Fabio e não queria perde-lo; o segundo era a segurança dele, pois os meninos sempre corriam algum risco por saberem em que o amigo estava envolvido e Kat não queria mais ninguém se arriscando por causa dele...
Após escutar tudo Fabio pediu pra pensar um pouco e saiu ficando na chuva que caia forte do lado de fora...
Kat chorou no colo de seus amigos, não pela dor em suas costas, mas pelo medo de perder seu namorado e adormeceu no colo deles, os meninos o levaram para o quarto e se ajeitariam como sempre no quarto de hóspedes, já que não era a primeira vez que eles dormiam ali na casa de Kat...
Kat dormia um sono inquieto e levemente febril quando acordou com alguém deitando ao seu lado e tocando em seu ombro enquanto dizia: Eu te amo, então, por favor, não me esconda mais nada, nunca mais...
Então virou e sentiu os lábios de Fabio contra os seus e deitou sua cabeça em seu peito e adormeceu...
Ainda inquieto e com dor ele levantou sorrateiramente da cama para não acordar seu namorado e ficou ali, olhando pela janela a chuva que cai do lado de fora e pensando que ao mesmo tempo em que está feliz, pois seu namorado continua ao seu lado, ele também está triste, pois ele não quer que o Fabio se machuque tentando ajudá-lo, ele já vive bastante preocupado por causa dos meninos que tantas vezes se meteram no meio de coisas que eles nunca entenderam direito...
Agora ele está ali vendo seu namorado em sua cama, dormindo, sem saber ao certo como será o futuro, não só deles dois, mas deles quatro, pois pelo jeito agora eles são uma equipe...
Ele volta para a cama e deita junto de Fabio abraçando-o por trás e adormecendo assim, juntos, quem sabe agora, pra sempre...